Fragmentos de Pensamento e de Paixão
Conheça a vida e a obra de Pietro UbaldiGrupo de estudos da vida e obra de Pietro Ubaldi, bem como sua divulgação. ceubrasil2017@gmail.com
Fragmentos de Pensamento e de Paixão
Conheça a vida e a obra de Pietro Ubaldi
“Seja-nos permitido falar de São
Francisco, não como fenômeno histórico ou religioso, mas unicamente do Santo de
Assis como fenômeno espiritual, como fato psicológico daquilo que não é lenda,
erudição, culto, mas drama da alma, a tremenda realidade interior, realidade
que transcende os limites do ambiente histórico no qual se manifestou” -
Pietro Ubaldi - Conheça a vida e a obra de Pietro Ubaldi
Capítulo 2: O FENÔMENO DA
QUEDA (continuação)
Continuando sua explanação sobre
o egocentrismo, diz Ubaldi, em Deus e Universo: “Em Deus, o
egocentrismo representa um egoísmo tão amplo que abraça todas as criaturas,
tudo o que existe, de modo a coincidir
com o máximo altruísmo... semelhante ao egocentrismo que todo ser
sente em relação aos elementos componentes do próprio organismo, e que é
necessário para mantê-los todos compactos em unidades em torno do eu central, a alma do sistema.”
“O egocentrismo de Deus é um
egocentrismo perfeito, constituído não por egoísmo separatista e exclusivista,
mas sim por amor... Deus é o centro, mas não para sujeitar, e sim para atrair; não para absorver, e sim para irradiar; não
para tomar, e sim para dar.”
“Deus encontra-se no núcleo do
Sistema, centralizando tudo em Si para tudo irradiar de Si, e as criaturas
devem existir à Sua imagem e semelhança como outros tantos núcleos menores que
irradiam para sistemas menores”.
“Eis as razões remotas, que
explicam e impõem o “ama o teu próximo”, do Evangelho. Hierarquicamente, a
unidade do sistema por esquemas únicos, repetidos em todos os níveis, impõe que
o mais sábio o poderoso, porque em níveis mais elevados, deve irradiar para os
inferiores, de nível mais baixo, pois que os níveis elevados recebem dos que se
encontram em níveis mais elevados ainda do que eles, próximos a Deus. Obtém-se,
assim, através da desigualdade, a justiça. Receberá dos irmãos maiores quem der
aos seus irmãos menores.”
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Capítulo 2: O FENÔMENO DA QUEDA (continuação 2)
Na última postagem, começamos a ver
as objeções que Ubaldi levanta contra sua própria teoria. É de se
admirar, pois não é comum o próprio autor objetar os argumentos mais fortes e
que dificilmente nós, os comuns de mentalidade normal,
conseguiríamos sequer pensar neles, ficando convencidos mesmo sem tanta
argumentação a favor.
São perguntas que levam o leitor
a pensar “e agora?!!! Não tem saída!!” Mas PU vai explicando e argumentando de
modo que tudo fique claro e rapidamente nos convence pela lógica férrea que
embasa toda a sua defesa.
Continua Ubaldi: “Pode-se
objetar ainda por que razão os espíritos, que eram livres e felizes na ordem,
haveriam de se sentir atraídos para uma desordem tão desastrosa?”
Ubaldi esclarece que o motivo foi
o egocentrismo. Egocentrismo não quer dizer egoísmo. Este é um egocentrismo
exclusivista, para vantagem própria e desvantagem dos outros, ao passo que o
egocentrismo pode fazer centro de si, como até no caso máximo de Deus,
sobretudo para o bem dos outros.
Em Deus e Universo,
PU esclarece sobre o egocentrismo quando diz: “É um fato que, sem
egocentrismo, desde os sistemas planetários aos organismos celulares e sociais,
nenhuma unidade se mantém compacta. Ele é, pois, necessário a todo ser. Egocentrismo
não é exatamente egoísmo. Este possui mais um sentido de centralização com
vantagem individual, com pendor separatista e exclusivista, de usurpação em
detrimento de outros ou necessitados ou com direito. O egocentrismo possui ao
invés, apenas um sentido de centralização destituído de senso separatista e
exclusivista, sem o objetivo de usurpar nada a outrem, pelo contrário, com
vantagem de conservação de um organismo global que é necessário e útil a todos
os elementos componentes. O Estado, como um chefe de família, pode ser
utilmente egocêntrico sem ser egoísta. Se todo ser, para existir, deve dizer:
"eu" – então o egocentrismo é uma necessidade de existência e, por
isso, não pode haver culpa em se repetir os princípios do ser, expressos no
sistema do universo. Também é da Lei que cada fragmento conserve interiormente
a natureza do esquema segundo o qual o Todo-Uno é construído.”
“Então, por que egoísmo é
culpa? Egoísmo e altruísmo são termos relativos ao grau de extensão que o eu
cobre com o próprio amor e compreensão. Enquanto o egoísmo é o amor exclusivo
com relação ao próprio "eu" e a nenhum outro, um altruísmo absoluto,
que renuncia a tudo, inclusive a si mesmo, sem vantagem nenhuma para um dado
ser ou grupo de seres, é loucura, é suicídio. Ambos os extremos constituem
culpa. A virtude consiste no altruísmo razoável, no sacrifício em favor de
alguém, na dilatação do egoísmo, isto é, na ampliação do princípio do
egocentrismo, e não na sua supressão. A virtude será tanto maior quanto mais
extenso for o campo dominado pelo amor, que é a substância da Lei.
Efetivamente, o egocentrismo máximo do Sistema em Deus, não é senão um egoísmo
que cobre todo o universo, dilatado assim infinitamente no amor capaz de
abraçar e defender todas as criaturas até o ponto de considerá-las como partes
integrantes de si mesmo, sacrificando-se por elas.
Eis como se opera a progressão
da abertura da concha do egoísmo no altruísmo, finalidade da evolução que
consiste exatamente na confraternização, a qual, unificando os fragmentos do
Uno, reconduz os seres à unidade no centro - Deus. O egoísmo poderia
então denominar-se egocentrismo involuído, fechado e limitado em si
mesmo, enquanto o altruísmo seria egocentrismo evoluído, aberto e
expandido no Todo. Efetivamente, o primeiro é separatista, desagregador,
centrífugo; o segundo é unificador, agregador, centrípeto. O primeiro se afasta
de Deus e o segundo se avizinha de Deus.”
(continua...)
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ESTUDO DO LIVRO: CRISTO
Pietro Ubaldi
Para reforçar nosso estudo sobre o fenômeno da Queda, vamos ver o que diz Ubaldi em O Sistema:
PU analisa em detalhes o 3º
aspecto do Tudo-Uno, o aspecto de Deus-Filho. “Deus nos aparece como uma
infinita multidão de seres” (os puros espíritos perfeitos recém-criados). “Isso
não significa fracionamento ou dispersão da Unidade, pois as criaturas surgiram
todas organicamente coordenadas, funcionando de acordo com a Lei, subordinados
todos a Ele, como centro do Sistema.”
Ubaldi acrescenta que “sendo
as criaturas centelhas de Deus, deviam
possuir as qualidades do fogo central, tendo em 1º lugar a liberdade.”
Conforme visto naquele trecho de Deus e Universo (da última postagem), as
criaturas “deviam ser livres e conscientes, aceitando permanecer na ordem por livre adesão.”
Ubaldi afirma ainda que “os
elementos eram hierarquicamente coordenados num organismo, portanto não podiam ser
idênticos ao centro, ao qual, no que respeita ao conhecimento e poderes, tinham
de ficar subordinados”, tendo como 1º dever a obediência. A liberdade, num sistema de ordem, deve se manter em perfeita adesão à Lei
(pensamento e vontade de Deus), sem o que, poderia ultrapassar os limites
impostos e subverter aquela ordem.
“Todavia, a liberdade é tal
que contém a possibilidade do arbítrio e do abuso, significando a capacidade de
quebrar a unidade orgânica do Sistema... Se essa infração ocorresse, a
desordem, nascida no seio da ordem, produziria, pelo menos na parte inquinada,
uma fratura, um emborcamento e uma queda”.
Após essas colocações Ubaldi
inicia a argumentação contrária visando esgotar e aprofundar o tema, dizendo: “Mas
como seria possível que O Sistema, obra de Deus, fosse tão imperfeito a ponto
de poder desmoronar a cada momento?”
É uma pergunta muito intrigante e
que nos faz realmente pensar: Sendo Deus perfeito, Sua obra deveria ser
perfeita; em sendo perfeita, como estaria sujeita à essas subversões dos
rebeldes?
Responde Ubaldi: “Não. Era tão
perfeito que, justamente por isso, continha, deixada à mercê da livre vontade
do ser, a possibilidade de uma queda, podendo até desmoronar, mas sem dano
definitivo. Se isso podia ocorrer é porque O Sistema era perfeito a tal ponto
que seria capaz de ressurgir de sua queda, tornando inócuo, em última
análise, esse perigo e erro.” Acrescenta Ubaldi que isso não era
imperfeição, mas, sim, uma 'super perfeição' (se é que podemos definir graus de
perfeição, mesmo que para fins didáticos), pois tudo estava previsto e a Lei
continha o remédio que curaria a possível queda.
(continua...)
Conheça a vida e a obra de Pietro Ubaldi
Pietro Ubaldi inicia o capítulo
dizendo que “a encarnação e a paixão de Cristo não podem ser explicadas
senão em função do dualismo, positivo e negativo, S e AS, involução e evolução”.
Lembra ainda que a humanidade, ao se referir à criação de Deus, pensa ainda no
Universo material (resultado da queda do Espírito na matéria), pois ainda não
tem consciência do que seja o Sistema (A obra de Ubaldi ainda está engatinhando
e se popularizando a passos de tartaruga; não poderia ser de outra maneira pois
necessita do amadurecimento psicológico das massas. Assim, podemos nos
considerar privilegiados, por termos acesso a essa benção que nos abriu o
entendimento à campo muito mais além, e ao mesmo tempo responsáveis por ajudar
na propagação para que outros também tenham essa compreensão).
A Redenção é a obra de salvamento
que Cristo veio nos trazer para endireitar o que fora emborcado com a queda. É
o impulso que Cristo veio dar à Humanidade em direção ao S.
Ubaldi explica que os fenômenos
estudados se deram em dimensões extremamente distantes de nossa realidade, no
tempo e no espaço, obrigando-nos a um esforço mental e à utilização de
aproximações conceituais progressivas.
Ubaldi retoma os conceitos já
apresentados e resume: “Deus é tudo, nada pode existir além de Deus. Para poder
criar, Deus não podia usar senão a substância da qual Ele mesmo era feito. Deus
é livre e perfeito, então, a criatura, sendo da mesma substância, também deve
ser livre e perfeita. O S é um organismo de elementos hierarquicamente
ordenados. Cada ser é perfeito dentro dos limites da individualidade que o
constitui e o define.”
Cabe aqui uma recordação da visão
apresentada por PU no livro “Deus e Universo”, a respeito desse momento
decisivo, desse diálogo inicial que dera origem a tudo: “Eis a criatura,
substancialmente espírito, centelha de Deus, apenas destacada do seio do Pai
que a gerou. Ela fita o Centro, do qual derivou por ato de Amor. A estrutura do
S impõe uma resposta sua a esse ato, a correspondência de um ato recíproco pelo
qual ela, por sua livre aceitação, confirme ou renegue, como queira, ligue-se ao
Sistema ou dele se destaque, agindo livremente e definindo, assim, a sua
posição”.
“O Criador respeita tanto a
liberdade por Ele concedida à criatura, que submete a Sua obra de Criador à livre
aceitação, que a corrobore junto à
criatura no que lhe diz respeito, à guisa de consentimento necessário de ambas
as partes, como em um contrato bilateral. Somente quando a criatura, livre, houver
dito: "Sim", somente neste momento em que ela é quase que chamada, e
com o seu consentimento está disposta a colaborar, a obra da criação estará
completa e perfeita.”
“Eis o ser diante de Deus.
Apenas criado, ele ainda não falou. Deve dizer agora a sua primeira palavra,
que Deus lhe pede em resposta ao Seu ato criador: a palavra decisiva.”
“Deus lhe fala primeiramente:
"Olha, ó criatura, o que há diante de ti. Eu sou o Pai que te criou. Quis
fazer-te da Minha própria substância, um “eu sou”, centro, livre como "Eu
Sou". Fiz-te grande com a minha grandeza, poderoso com o meu poder, sábio
com a minha sabedoria. Fiz assim espontaneamente, por um ato de Amor para
contigo. A este Meu ato falta somente um último retoque para ser perfeito e ele
deve partir de ti. Espero-o de ti, que o farás com plena liberdade.”
“Ofereço-te a existência como
um grande pacto de amizade. Ele é baseado no Amor com que te criei e a que
deves o teu ser. Podes aceitar ou não este Meu Amor. Todo pacto é bilateral,
toda aceitação de amor deve ser espontânea. Não é possível uma correspondência
de amor forçado. Escolhe. Vê o que Eu já fiz por ti. Eu te precedi com o
exemplo. Tu me vês. Olha e decide. Qualquer pressão de Minha parte faria de ti
uma criatura escrava e Eu te fiz livre porque tu deves assemelhar-te a Mim.”
“Para que Eu te pudesse amar
como quero, tu deves ser semelhante a Mim. Não se pode pedir Amor a um escravo,
mas somente obediência forçada. Isto está fora do Meu Sistema, seria a sua
inversão. Vem, pois, a Mim. Corresponde ao Meu Amor, que te chama e te atrai.
Confirma a Minha obra com a tua aceitação. Por tua livre escolha, consente, então,
e coordena-te no Meu Sistema, do qual Eu
Sou Centro.”
“Subordina o teu “eu sou”
menor ao “Eu Sou”, o Deus Uno, supremo vértice que rege o Todo. Reconhece a
ordem da qual Eu sou o dirigente. Promete obediência à Lei que exprime o Meu
pensamento e a Minha vontade. Por Amor te peço, pois que és meu filho, que me
retribuas o Amor pelo qual te gerei”.
“Após essas palavras, por um
instante ficou suspensa a respiração do Todo, enquanto as falanges dos
espíritos criados oscilavam em cósmicas ondulações. O ser olha e pensa. Ele
sente em si a potência que lhe promana do Pai, uma imensidade que o torna
semelhante a Deus. É livre, como um “eu sou” autônomo, senhor do seu sistema,
das suas forças e equilíbrios interiores. A sua própria estrutura, permeada de
divina grandeza, impele-o a repetir em sentido autônomo, separatista, o
egocentrismo que ele continha do "Eu Sou" máximo: Deus.”
“Mas, do outro lado há uma
força oposta, anti-egocêntrica, tendente a neutralizar a primeira: o amor. Ele
se manifesta como silenciosa atração, que se impõe por bondade.”
“As duas forças, assim
diversas, movem as falanges dos espíritos, que as examinam e pesam. Belo é o
Amor, mas acarreta uma renúncia cheia de deveres, uma renúncia à plenitude
total do "eu sou"; implica obediência, o reconhecimento de uma
posição subordinada.”
“Eis o perigo tentador: exagerar, em seu juízo,
a própria semelhança com Deus e admitir uma pretensão de identidade. Ao invés
de seguir o caminho do Amor, coordenando-se com obediência na ordem, tomar a
via oposta. Devendo coordenar o próprio "eu sou", reforçar sua
autonomia, fazendo-se isoladamente centro do sistema, com leis próprias; imitar
Deus somente para superá-Lo. Responder ao doce apelo de Amor com um grito de desafio:
"Não, Deus! eu, criatura, sou maior do que Tu. Eu sou Deus, não Tu"!
“Como
caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva (portador da luz)! Como foste
atirado por terra?
E tu
dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei
o meu trono, e no monte da congregação me assentarei. E serei semelhante ao
Altíssimo. E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo.” - ISAÍAS 14:12-15
*** ***
“Foi então que um sem-número
de "deuses" menores, feitos de substância divina, livremente
decidiram tornar-se "deuses" maiores, iguais a Deus. A escolha foi
por eles feita, e o Sistema, convulsionado desde os alicerces, que se fundamentam
no espírito, estremeceu, abalou-se e parcialmente ruiu, involvendo para a
matéria.”
*** ***
“E
disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu”. - LUCAS 10:18
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“E
houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e
batalhavam o dragão e os seus anjos;
Mas
não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus.
E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” - APOCALIPSE 12:7-9
Por fim, Ubaldi esclarece que o S
era um organismo baseado na ordem e disciplina. O ser devia dar prova de
respeitá-lo, tornando-se merecedor de permanecer feliz na eternidade,
demonstrando que saberia viver como ser livre, mas responsável, com disciplina
na organicidade do S. Os espíritos obedientes superaram a prova, com a sua
adesão à Lei na qual permaneceram enquadrados. Os espíritos rebeldes terão que
superar essa prova, percorrendo todo o ciclo involutivo-evolutivo, retomando,
assim, suas posições originárias no S.
Conheça a vida e a obra de Pietro Ubaldi