Após receber as
primeiras 3 das chamadas “Mensagens Espirituais”, Pietro Ubaldi “embora
todas as certezas superiores da fé, não obstante a profunda consciência
espiritual de sua missão, Ubaldi é profundamente honesto e essa sua honestidade
inata e incorruptível o leva a dúvidas naturais, humanas, que somente não
possuem os orgulhosos. Sua pureza de coração é mãe de sua racionalidade e de
relativo e justificado ceticismo. Eis porque ele humildemente se dirige a Ernesto
Bozzano, professor da Universidade e Turim, cientista e filósofo, tão
sobejamente conhecido e respeitado no Brasil, enviando ao grande metapsiquista as
Mensagens recebidas. E a mais alta e indiscutível autoridade mundial nesse
assunto (na justa opinião de Marc’ Antonio Bragadin, diretor da Ali del
Pensiero), assim se pronuncia”: (Grandes Mensagens. 1ª ed. LAKE, 1952)
Do livro Grandes
Mensagens (Clóvis Tavares) – LAKE, 1952
Em 01 de junho
de 1932, novamente Bozzano lhe escreve dizendo:
Artigo de Bragadin
em Ali del Pensiero – fevereiro de 1934
“...a mensagem
obtida com a sua mediunidade resulta indubitavelmente de origem transcendental,
bem como de elevadíssima inspiração. Provém claramente de um grande
Mestre Espiritual... Noto que a forma da Sua mediunidade — consistente em uma
Voz subjetiva que lhe dita a mensagem... Termino encorajando-o a perseverar em
suas experiências, das quais espero algo análogo aos Spirit Teachings
[Ensinamentos dos Espíritos] de Moses...”. Sábio profeta."
E quando Bozzano recebe
uma cópia da “Mensagem do Perdão”
que Ubaldi lhe envia, solicitando uma opinião, assim se manifesta o sábio
italiano: (Da Revista Constancia – Buenos Aires, ano LV, nº 2368,
03/11/1932)
“Senhor Prof. Dr.
Pietro Ubaldi.
Querido Ubaldi,
Pede-me você um
julgamento sobre a "Mensagem do Perdão". Ei-lo em poucas palavras:
"Estupendo! Contém passagens tão sublimes em sua cósmica grandiosidade,
que infundem quase uma sensação de terror sagrado".
Pergunta-me também
se, pelo texto, será possível identificar a Entidade comunicante. Parece-me que
dela transparece claramente quem é que se manifesta: "Deus, perdoa-os, não
sabem o que fazem" (.....). "Por vós me deixaria crucificar outra
vez"(....). "Não queirais renovar-me as angústias do Getsêmani"
(.....).
Infere-se que deve
tratar-se nada menos que de JESUS NAZARENO. E, do ponto de vista da
investigação científica, isto constitui o ponto crítico das mensagens desta
natureza, dessas que deixam perplexo o ânimo do leitor, porque se revestem de
sublimidade semelhante às que você recebeu; se se trata de investigadores que,
como eu, já estão convencidos experimentalmente da verdade irrefutável das
comunicações mediúnicas com entidades de desencarnados, poderão convencer-se
com facilidade da veracidade da fonte donde emanam as mensagens; todavia, isto
ocorrerá sempre por força de um "ato de fé", embora neste caso esta
se baseie na experiência adquirida nas investigações mediúnicas.
Infelizmente,
todavia, se se deseja convencer o mundo, e mormente os homens de ciência, a
respeito do importantíssimo fato da existência e da sobrevivência do espírito
humano, fazem falta fatos, induções e deduções de fatos. Foi a este último
sistema de investigação positiva sobre o mistério do ser, que eu me dediquei
invariavelmente. Isto não impede, no entanto, que esse sistema possa
aperfeiçoar-se e completar-se, com o acréscimo dos ensinamentos e da luz
espiritual que podem trazer-nos mensagens mediúnicas de tão grande elevação que
se impõem à razão. E este, precisamente, o caso das mensagens recebidas por
você.
Você me pede um
conselho sobre se deve continuar ou ao invés suspender o exercício de sua
mediunidade, orientada nesse sentido. Respondo: "Cada um tem sua própria
missão. A minha era o de contribuir, na medida das minhas forças, para
convencer os homens de ciência, com base nos fatos; a sua, parece ser a de
trazer à humanidade pensante mensagens elevadíssimas, de ordem moral e
espiritual, e que estão destinadas a tornar-se um dia, as únicas importantes
para a evolução espiritual dos povos.
Prossiga, portanto,
em sua missão.
Afetuosas
saudações,
Savona, 14 de
Outubro de 1932”
(a) E. Bozzano
Artigo de Bragadin
em Ali del Pensiero – fevereiro de 1934
Em 18 de outubro
de 1935, Bozzano escrevia outra carta a Pietro Ubaldi:
Reformador –
janeiro de 1936
Em 14 de janeiro
de 1936, novamente Ernesto Bozzano, a respeito de AGS, diz a Ubaldi: “...
a onda de inspiração supranormal lhe ditou a mais extraordinária, concreta e
grandiosa mensagem mediúnica, de ordem científica, que se conhece em metapsíquica.”
Também sobre AGS:
Artigo de Bragadin
em Ali del Pensiero – fevereiro de 1934
"Ainda o
Bozzano, autoridade máxima, escrevia ao Ubaldi: ‘...o conteúdo da Grande
Síntese já aparece e promete tornar-se grandioso, enquanto resulta em pleno
acordo com o que ensina ou intui a ciência humana', e ultimamente: '...é
concebido em termos rigorosamente científicos e está em pleno acordo com as
hodiernas concepções filosóficas, matemáticas, geométricas, sobre o mesmo
assunto... À espera de reler e ponderar adequadamente a poderosa mensagem
transcendental quando se terá a possibilidade de fazê-lo com o ditado concluído’."
Em 12 de
novembro de 1936, Bozzano descreve suas impressões após a leitura do último
fascículo publicado em Ali del Pensiero:
Reformador – janeiro de 1937
Em 20 de julho de 1937, novas palavras dirige a Ubaldi:
“A parte moral,
social e política de A Grande Síntese está à altura da parte científica, a
todos os respeitos, e nela se me deparam considerações de olímpica sabedoria”.
Em 12 de outubro
de 1937:
Prefácio da 1ª edição brasileira – FEB, 1939
*** - ***
Em sua
autobiografia para a International Psychic Gazette, de Londres, em maio
de 1930, diz Bozzano:
Artigo autobiográfico
de Bozzano para o International Psychic Gazette, de Londres - maio de
1930
“UM ESTUDANTE
EREMITA.
Nasci em Gênova,
Itália, em 1862, e minha vida é literalmente um vazio de episódios biográficos,
pois tem sido a vida de um eremita. Nunca fiz nada além de estudar. Na
minha juventude, todos os ramos do conhecimento relacionados às artes e às
ciências exerciam um fascínio irresistível sobre minha mente, tornando difícil
para mim escolher um único caminho na vida.
Finalmente,
decidi-me pela Filosofia, e Herbert Spencer era meu ídolo. Tornei-me um
positivista-materialista — convencido a tal ponto que me parecia
inacreditável que pudessem existir pessoas cultas, dotadas de um mínimo de bom
senso, que acreditassem na existência ou na sobrevivência do espírito. [Assim com o Prof. Rivail, que chegou a zombar dos que
acreditavam nessas ”histórias da carochinha”] E não apenas pensava
assim, como escrevi artigos audaciosos em defesa das minhas convicções.
A lembrança de tais
atos meus agora me torna indulgente e tolerante para com uma classe específica
de oponentes que, de boa fé, acreditam ser capazes de refutar as conclusões
rigorosamente experimentais alcançadas pelo Espiritismo Moderno, opondo-as às induções
e deduções da Psicofisiologia, conjecturas nas quais eu também acreditava há
quarenta anos!
INÍCIO DAS
INVESTIGAÇÕES ESPIRITUÍSTAS.
Deve-se entender
que, naquela época a que me refiro, eu nada sabia sobre investigação
mediúnica ou sobre "Espiritismo", com exceção de breves artigos
que eu havia lido descuidadamente em jornais, nos quais supostos truques de
médiuns eram expostos e nos quais os crédulos espíritas eram tratados com pena.
Ora, aconteceu que,
no ano de 1891, o Professor Th. Ribot, o diretor da Revue Philosophique,
escreveu-me para falar da próxima publicação de uma nova revista intitulada
Annates des Sciences Psychiques, da qual o Dr. Darieux, precursor do Professor
Charles Richet, era o editor. Tratava-se de uma revista que se propunha
principalmente a reunir e investigar certos casos curiosos de transmissão de
pensamento à distância, que se decidiu denominar "fenômenos telepáticos".
A misteriosa psicologia oculta em tais expressões despertou minha
curiosidade, enquanto o nome do Professor Richet bastava garantir a
seriedade científica da empreitada. Respondi ao Professor Ribot,
agradecendo-lhe e enviando minha assinatura.
O PRIMEIRO EFEITO
FOI DESASTROSO.
Devo afirmar
sinceramente que a leitura dos primeiros números da revista em questão causou
uma impressão desastrosa em meu critério positivista irreconciliável. Parecia-me
escandaloso que certos representantes da ciência oficial discutissem
seriamente a Transmissão do Pensamento de um continente para outro, aparições
de fantasmas telepáticos com existência real e casos de assombrações reais. O
poder inibidor dos preconceitos tornava minha faculdade de raciocínio
totalmente impermeável a tais novas ideias; ou melhor, a tais novos fatos, pois
tratava-se realmente de acontecimentos cientificamente demonstrados e
rigorosamente documentados, embora eu não estivesse qualificado para
assimilá-los.
O QUE CAUSOU O
PRIMEIRO PASSO ADIANTE.
Enquanto eu
permanecia nesse estado de espírito, surgiu um longo artigo do Professor
Rosenbach, de São Petersburgo, no qual ele atacava violentamente a intrusão
sacrílega desse "Novo Misticismo" nos sagrados recintos da Psicologia
oficial, e explicava os novos acontecimentos pelas hipóteses de
"alucinação", "coincidências fortuitas" e não sei mais o
quê. Tais refutações me pareceram tão deficientes e insustentáveis que
produziram em minha mente o efeito oposto ao que o autor pretendia, e tornou-se
concebível para mim que a questão fosse realmente uma questão de fatos.
Consequentemente, achei que o Professor Rosenbach estava errado em combatê-las
meramente com base em visões preconcebidas. E assim aconteceu que as refutações
desajeitadas de um dos meus correligionários — excessivamente fervoroso em sua
crença positivista — me levaram a dar o primeiro passo rumo à nova Ciência do
Espírito, à qual eu consagraria minha vida.
No número seguinte
da Revue Philosophique, felizmente apareceu um artigo do Professor Richet no
qual as afirmações superficiais do Professor Rosenbach foram refutadas ponto
por ponto; um artigo que fortaleceu muito minhas convicções quanto à realidade
dos fatos e quanto ao mistério em que suas explicações estavam envolvidas.”
A CAMINHO DE
DAMASCO.
Nesse mesmo ano,
por meio do trabalho de MarilHer, foi publicada uma tradução francesa do famoso
livro "Fantasmas dos Vivos" (de Myers, Gurney e Podmore), sob o novo
título de "Alucinações Telepáticas"; uma tradução que adquiri
imediatamente e que serviu para me convencer definitivamente da existência de
fenômenos telepáticos.
Mas é preciso
entender que tal reconhecimento da minha parte não alterou em nada minha crença
positivista, pois a explicação científica então em voga para os fenômenos
telepáticos, segundo a qual eles derivavam sua origem do pensamento viajando em
direção ao infinito em ondas concêntricas, satisfazia plenamente meu juízo
científico.
Não obstante, eu
havia efetivamente e inconscientemente dado um grande passo no caminho de
Damasco, pois essa primeira concessão em relação às manifestações supranormais
me lançou
irrevogavelmente em
uma nova linha de pesquisa, que me levaria na direção oposta à do Positivismo
Materialista que eu professava. E, de fato, não demorei a chegar ao período de
crise em minha consciência científica. Foi o volume de Alessander Aksakoff,
"Animisme et Spiritisme", que provocou esse período, abalando
profundamente os alicerces da minha crença positivista.
Seguiu-se um tempo,
doloroso além das palavras, de perturbação moral para mim, porque, embora o
novo caminho se estabelecesse no sentido de uma fé científica muito mais
reconfortante, ainda assim, não se testemunha sem desconforto a demolição de
todo o sistema de convicções filosóficas, adquirido ao preço de longas
meditações e de perseverantes esforços intelectuais.
O ESTUDO DA HISTÓRIA ESPIRITUALISTA PRIMITIVA.
Nesses dias, li
inúmeras obras metapsíquicas de autores então em voga — Kardec, Delanne,
Denis, D'Assier, Nus, Crookes, Brofferio, Du Prel — mas não demorei a
perceber que, se alguém desejasse realizar um trabalho cientificamente
competente no novo campo de pesquisa, era necessário retornar às origens do
movimento espiritualista. Portanto, escrevi para Londres e Nova York, a fim de
obter as principais publicações desde o início do movimento até 1870, e com a
chegada desses livros começou para mim o período realmente frutífero de
investigação sistemática neste vasto novo campo da metapsíquica.
Cataloguei cada
obra que li, colocando seu conteúdo em ordem alfabética apropriada, com a
intenção de usá-las para classificação e análise comparativa dos acontecimentos
e fatos. A utilidade de tal método de investigação provou ser tão inestimável
para seu uso que o continuei até os dias atuais. Guardo uma memória
indelével desse período de pesquisas fervorosas e perseverantes, pois por meio
delas pude fazer um balanço das minhas novas convicções espiritualistas, sobre
um fundamento cientificamente inabalável. Entre as obras que mais influenciaram
meu ponto de vista, posso mencionar as seguintes: Robert Dale Owen:
"Passos na Fronteira de Outro Mundo"; "A Terra Disputada entre
este Mundo e o Novo". Epes Sargent: “Planchette, o Desespero da Ciência.”
Sra. do Morgan: “Da Matéria ao Espírito.” Dr. N. B. Wolfe: “Fatos
Surpreendentes no Espiritualismo Moderno”. É realmente deplorável que tais
obras, há muito esgotadas, não sejam reimpressas na Inglaterra e na América, a
menos que conservem intactos seu frescor e seu valor. Quanto à história do
movimento espiritualista, o livro da Sra. E. Harding Britten, “Modern American
Spirit”, foi de grande ajuda para mim; e para a história dos precursores neste
mesmo campo, recorri com proveito à obra, em dois volumes, de William Howitt,
“História do Sobrenatural”.
Do ponto de vista
da fenomenologia mediúnica e dos efeitos físicos, os relatos dados pela Sra.
Spew sobre as sessões experimentais com William Stain em Moses foram os que
produziram o maior efeito impactante sobre minhas convicções.
