sexta-feira, 8 de maio de 2026

ERNESTO BOZZANO E PIETRO UBALDI


Após receber as primeiras 3 das chamadas “Mensagens Espirituais”, Pietro Ubaldiembora todas as certezas superiores da fé, não obstante a profunda consciência espiritual de sua missão, Ubaldi é profundamente honesto e essa sua honestidade inata e incorruptível o leva a dúvidas naturais, humanas, que somente não possuem os orgulhosos. Sua pureza de coração é mãe de sua racionalidade e de relativo e justificado ceticismo. Eis porque ele humildemente se dirige a Ernesto Bozzano, professor da Universidade e Turim, cientista e filósofo, tão sobejamente conhecido e respeitado no Brasil, enviando ao grande metapsiquista as Mensagens recebidas. E a mais alta e indiscutível autoridade mundial nesse assunto (na justa opinião de Marc’ Antonio Bragadin, diretor da Ali del Pensiero), assim se pronuncia”: (Grandes Mensagens. 1ª ed. LAKE, 1952)


Do livro Grandes Mensagens (Clóvis Tavares) – LAKE, 1952


Em 01 de junho de 1932, novamente Bozzano lhe escreve dizendo:

Artigo de Bragadin em Ali del Pensiero – fevereiro de 1934


“...a mensagem obtida com a sua mediunidade resulta indubitavelmente de origem transcendental, bem como de elevadíssima inspiração. Provém claramente de um grande Mestre Espiritual... Noto que a forma da Sua mediunidade — consistente em uma Voz subjetiva que lhe dita a mensagem... Termino encorajando-o a perseverar em suas experiências, das quais espero algo análogo aos Spirit Teachings [Ensinamentos dos Espíritos] de Moses...”. Sábio profeta."

 

E quando Bozzano recebe uma cópia  da “Mensagem do Perdão” que Ubaldi lhe envia, solicitando uma opinião, assim se manifesta o sábio italiano: (Da Revista Constancia – Buenos Aires, ano LV, nº 2368, 03/11/1932)

 

“Senhor Prof. Dr. Pietro Ubaldi.

Querido Ubaldi,

 

Pede-me você um julgamento sobre a "Mensagem do Perdão". Ei-lo em poucas palavras: "Estupendo! Contém passagens tão sublimes em sua cósmica grandiosidade, que infundem quase uma sensação de terror sagrado".

Pergunta-me também se, pelo texto, será possível identificar a Entidade comunicante. Parece-me que dela transparece claramente quem é que se manifesta: "Deus, perdoa-os, não sabem o que fazem" (.....). "Por vós me deixaria crucificar outra vez"(....). "Não queirais renovar-me as angústias do Getsêmani" (.....).

Infere-se que deve tratar-se nada menos que de JESUS NAZARENO. E, do ponto de vista da investigação científica, isto constitui o ponto crítico das mensagens desta natureza, dessas que deixam perplexo o ânimo do leitor, porque se revestem de sublimidade semelhante às que você recebeu; se se trata de investigadores que, como eu, já estão convencidos experimentalmente da verdade irrefutável das comunicações mediúnicas com entidades de desencarnados, poderão convencer-se com facilidade da veracidade da fonte donde emanam as mensagens; todavia, isto ocorrerá sempre por força de um "ato de fé", embora neste caso esta se baseie na experiência adquirida nas investigações mediúnicas.

Infelizmente, todavia, se se deseja convencer o mundo, e mormente os homens de ciência, a respeito do importantíssimo fato da existência e da sobrevivência do espírito humano, fazem falta fatos, induções e deduções de fatos. Foi a este último sistema de investigação positiva sobre o mistério do ser, que eu me dediquei invariavelmente. Isto não impede, no entanto, que esse sistema possa aperfeiçoar-se e completar-se, com o acréscimo dos ensinamentos e da luz espiritual que podem trazer-nos mensagens mediúnicas de tão grande elevação que se impõem à razão. E este, precisamente, o caso das mensagens recebidas por você.

Você me pede um conselho sobre se deve continuar ou ao invés suspender o exercício de sua mediunidade, orientada nesse sentido. Respondo: "Cada um tem sua própria missão. A minha era o de contribuir, na medida das minhas forças, para convencer os homens de ciência, com base nos fatos; a sua, parece ser a de trazer à humanidade pensante mensagens elevadíssimas, de ordem moral e espiritual, e que estão destinadas a tornar-se um dia, as únicas importantes para a evolução espiritual dos povos.

Prossiga, portanto, em sua missão.

Afetuosas saudações,

Savona, 14 de Outubro de 1932”

(a)   E. Bozzano



Artigo de Bragadin em Ali del Pensiero – fevereiro de 1934


Em 18 de outubro de 1935, Bozzano escrevia outra carta a Pietro Ubaldi:


Reformador – janeiro de 1936 


Em 14 de janeiro de 1936, novamente Ernesto Bozzano, a respeito de AGS, diz a Ubaldi: “... a onda de inspiração supranormal lhe ditou a mais extraordinária, concreta e grandiosa mensagem mediúnica, de ordem científica,  que se conhece em metapsíquica.

 Também sobre AGS:

Artigo de Bragadin em Ali del Pensiero – fevereiro de 1934


"Ainda o Bozzano, autoridade máxima, escrevia ao Ubaldi: ‘...o conteúdo da Grande Síntese já aparece e promete tornar-se grandioso, enquanto resulta em pleno acordo com o que ensina ou intui a ciência humana', e ultimamente: '...é concebido em termos rigorosamente científicos e está em pleno acordo com as hodiernas concepções filosóficas, matemáticas, geométricas, sobre o mesmo assunto... À espera de reler e ponderar adequadamente a poderosa mensagem transcendental quando se terá a possibilidade de fazê-lo com o ditado concluído’."


Em 12 de novembro de 1936, Bozzano descreve suas impressões após a leitura do último fascículo publicado em Ali del Pensiero:



 Reformador – janeiro de 1937

 

 Em 20 de julho de 1937, novas palavras dirige a Ubaldi:

“A parte moral, social e política de A Grande Síntese está à altura da parte científica, a todos os respeitos, e nela se me deparam considerações de olímpica sabedoria”.

 

Em 12 de outubro de 1937:

 


Prefácio da 1ª edição brasileira – FEB, 1939

 

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Em sua autobiografia para a International Psychic Gazette, de Londres, em maio de 1930, diz Bozzano:



Artigo autobiográfico de Bozzano para o International Psychic Gazette, de Londres - maio de 1930


“UM ESTUDANTE EREMITA.

Nasci em Gênova, Itália, em 1862, e minha vida é literalmente um vazio de episódios biográficos, pois tem sido a vida de um eremita. Nunca fiz nada além de estudar. Na minha juventude, todos os ramos do conhecimento relacionados às artes e às ciências exerciam um fascínio irresistível sobre minha mente, tornando difícil para mim escolher um único caminho na vida.

Finalmente, decidi-me pela Filosofia, e Herbert Spencer era meu ídolo. Tornei-me um positivista-materialista — convencido a tal ponto que me parecia inacreditável que pudessem existir pessoas cultas, dotadas de um mínimo de bom senso, que acreditassem na existência ou na sobrevivência do espírito. [Assim com o Prof. Rivail, que chegou a zombar dos que acreditavam nessas ”histórias da carochinha”] E não apenas pensava assim, como escrevi artigos audaciosos em defesa das minhas convicções.

A lembrança de tais atos meus agora me torna indulgente e tolerante para com uma classe específica de oponentes que, de boa fé, acreditam ser capazes de refutar as conclusões rigorosamente experimentais alcançadas pelo Espiritismo Moderno, opondo-as às induções e deduções da Psicofisiologia, conjecturas nas quais eu também acreditava há quarenta anos!


INÍCIO DAS INVESTIGAÇÕES ESPIRITUÍSTAS.

Deve-se entender que, naquela época a que me refiro, eu nada sabia sobre investigação mediúnica ou sobre "Espiritismo", com exceção de breves artigos que eu havia lido descuidadamente em jornais, nos quais supostos truques de médiuns eram expostos e nos quais os crédulos espíritas eram tratados com pena.

Ora, aconteceu que, no ano de 1891, o Professor Th. Ribot, o diretor da Revue Philosophique, escreveu-me para falar da próxima publicação de uma nova revista intitulada Annates des Sciences Psychiques, da qual o Dr. Darieux, precursor do Professor Charles Richet, era o editor. Tratava-se de uma revista que se propunha principalmente a reunir e investigar certos casos curiosos de transmissão de pensamento à distância, que se decidiu denominar "fenômenos telepáticos". A misteriosa psicologia oculta em tais expressões despertou minha curiosidade, enquanto o nome do Professor Richet bastava garantir a seriedade científica da empreitada. Respondi ao Professor Ribot, agradecendo-lhe e enviando minha assinatura.


BOZZANO


O PRIMEIRO EFEITO FOI DESASTROSO.

Devo afirmar sinceramente que a leitura dos primeiros números da revista em questão causou uma impressão desastrosa em meu critério positivista irreconciliável. Parecia-me escandaloso que certos representantes da ciência oficial discutissem seriamente a Transmissão do Pensamento de um continente para outro, aparições de fantasmas telepáticos com existência real e casos de assombrações reais. O poder inibidor dos preconceitos tornava minha faculdade de raciocínio totalmente impermeável a tais novas ideias; ou melhor, a tais novos fatos, pois tratava-se realmente de acontecimentos cientificamente demonstrados e rigorosamente documentados, embora eu não estivesse qualificado para assimilá-los.

  

O QUE CAUSOU O PRIMEIRO PASSO ADIANTE.

Enquanto eu permanecia nesse estado de espírito, surgiu um longo artigo do Professor Rosenbach, de São Petersburgo, no qual ele atacava violentamente a intrusão sacrílega desse "Novo Misticismo" nos sagrados recintos da Psicologia oficial, e explicava os novos acontecimentos pelas hipóteses de "alucinação", "coincidências fortuitas" e não sei mais o quê. Tais refutações me pareceram tão deficientes e insustentáveis ​​que produziram em minha mente o efeito oposto ao que o autor pretendia, e tornou-se concebível para mim que a questão fosse realmente uma questão de fatos. Consequentemente, achei que o Professor Rosenbach estava errado em combatê-las meramente com base em visões preconcebidas. E assim aconteceu que as refutações desajeitadas de um dos meus correligionários — excessivamente fervoroso em sua crença positivista — me levaram a dar o primeiro passo rumo à nova Ciência do Espírito, à qual eu consagraria minha vida.

No número seguinte da Revue Philosophique, felizmente apareceu um artigo do Professor Richet no qual as afirmações superficiais do Professor Rosenbach foram refutadas ponto por ponto; um artigo que fortaleceu muito minhas convicções quanto à realidade dos fatos e quanto ao mistério em que suas explicações estavam envolvidas.”

 



A CAMINHO DE DAMASCO.

Nesse mesmo ano, por meio do trabalho de MarilHer, foi publicada uma tradução francesa do famoso livro "Fantasmas dos Vivos" (de Myers, Gurney e Podmore), sob o novo título de "Alucinações Telepáticas"; uma tradução que adquiri imediatamente e que serviu para me convencer definitivamente da existência de fenômenos telepáticos.

Mas é preciso entender que tal reconhecimento da minha parte não alterou em nada minha crença positivista, pois a explicação científica então em voga para os fenômenos telepáticos, segundo a qual eles derivavam sua origem do pensamento viajando em direção ao infinito em ondas concêntricas, satisfazia plenamente meu juízo científico.

Não obstante, eu havia efetivamente e inconscientemente dado um grande passo no caminho de Damasco, pois essa primeira concessão em relação às manifestações supranormais me lançou

irrevogavelmente em uma nova linha de pesquisa, que me levaria na direção oposta à do Positivismo Materialista que eu professava. E, de fato, não demorei a chegar ao período de crise em minha consciência científica. Foi o volume de Alessander Aksakoff, "Animisme et Spiritisme", que provocou esse período, abalando profundamente os alicerces da minha crença positivista.

Seguiu-se um tempo, doloroso além das palavras, de perturbação moral para mim, porque, embora o novo caminho se estabelecesse no sentido de uma fé científica muito mais reconfortante, ainda assim, não se testemunha sem desconforto a demolição de todo o sistema de convicções filosóficas, adquirido ao preço de longas meditações e de perseverantes esforços intelectuais.



 

O ESTUDO DA HISTÓRIA ESPIRITUALISTA PRIMITIVA.

Nesses dias, li inúmeras obras metapsíquicas de autores então em voga — Kardec, Delanne, Denis, D'Assier, Nus, Crookes, Brofferio, Du Prel — mas não demorei a perceber que, se alguém desejasse realizar um trabalho cientificamente competente no novo campo de pesquisa, era necessário retornar às origens do movimento espiritualista. Portanto, escrevi para Londres e Nova York, a fim de obter as principais publicações desde o início do movimento até 1870, e com a chegada desses livros começou para mim o período realmente frutífero de investigação sistemática neste vasto novo campo da metapsíquica.

Cataloguei cada obra que li, colocando seu conteúdo em ordem alfabética apropriada, com a intenção de usá-las para classificação e análise comparativa dos acontecimentos e fatos. A utilidade de tal método de investigação provou ser tão inestimável para seu uso que o continuei até os dias atuais. Guardo uma memória indelével desse período de pesquisas fervorosas e perseverantes, pois por meio delas pude fazer um balanço das minhas novas convicções espiritualistas, sobre um fundamento cientificamente inabalável. Entre as obras que mais influenciaram meu ponto de vista, posso mencionar as seguintes: Robert Dale Owen: "Passos na Fronteira de Outro Mundo"; "A Terra Disputada entre este Mundo e o Novo". Epes Sargent: “Planchette, o Desespero da Ciência.” Sra. do Morgan: “Da Matéria ao Espírito.” Dr. N. B. Wolfe: “Fatos Surpreendentes no Espiritualismo Moderno”. É realmente deplorável que tais obras, há muito esgotadas, não sejam reimpressas na Inglaterra e na América, a menos que conservem intactos seu frescor e seu valor. Quanto à história do movimento espiritualista, o livro da Sra. E. Harding Britten, “Modern American Spirit”, foi de grande ajuda para mim; e para a história dos precursores neste mesmo campo, recorri com proveito à obra, em dois volumes, de William Howitt, “História do Sobrenatural”.

Do ponto de vista da fenomenologia mediúnica e dos efeitos físicos, os relatos dados pela Sra. Spew sobre as sessões experimentais com William Stain em Moses foram os que produziram o maior efeito impactante sobre minhas convicções.

 




















 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Mensagem de Emmanuel para prefácio de "A Grande Síntese" - Pietro Ubaldi

 A mensagem é conhecida, a história não.

Romaria da Graça” é o nome do livrinho de autoria de Manuel Justiniano de Freitas Quintão, ou simplesmente M. Quintão, editado pela Federação Espírita Brasileira em 1939, com distribuição gratuita. Parece ser o primeiro livro a tratar da vida de Chico Xavier.

É o relato de uma viagem (de 12 a 19 de outubro de 1938) feita por um grupo de amigos (“Caravana da Amizade”: M. Quintão e sua esposa Alzira Capute; Manuel, o fotógrafo; Olímpio Giffone e Pedro) a Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo – MG.

Manuel Quintão não conhecia Chico Xavier. Mas atento militante da FEB não deixou de perceber quando, a partir de 1928, começaram a ser publicadas no jornal espírita Aurora, e em colunas espíritas de jornais leigos, mensagens assinadas por F. Xavier, que, àquela época, era um total desconhecido fora de Pedro Leopoldo.


Em 1930, quando começaram a aparecer as primeiras mensagens de Chico Xavier no Reformador — ainda com a assinatura F. Xavier — Manuel Quintão era o diretor dessa publicação.

No mês de fevereiro desse ano, quando M. Quintão publicou a primeira mensagem de Chico Xavier no Reformador (“Os felizes”); Chico publicou a mensagem “Imortalidade” no jornal Aurora, dedicada a ele.

Manuel Quintão



Em 1932, quando Chico publicou o seu primeiro livro, “Parnaso de Além-Túmulo”, Manuel Quintão escreveu o prefácio.

Manuel Quintão e Chico Xavier foram muito amigos e trocaram correspondências por longos anos. Parece que Quintão foi o continuador do trabalho que anteriormente havia sido realizado por José Hermínio Perácio e D. Carmen Pena Perácio. Assumiu M. Quintão a qualidade de mentor encarnado de Chico Xavier. Nessa correspondência, Chico, um médium ainda em formação, expunha suas dúvidas em torno da sua mediunidade.

Foi ele um grande incentivador do trabalho de Chico Xavier, ora pedindo uma mensagem para publicar no Reformador, ora opinando que as mensagens não deveriam ser publicadas em jornais, mas sim em livros. Esse vínculo forte tinha razão de ser, pois remontava aos fortes laços de afeto de vidas passadas. Nesta vida, seus familiares trataram de solidificar ainda mais esse laço quando o filho de Manuel Quintão, Pedro Quintão, casou-se com Geralda Xavier, irmã de Chico.

Assim, naquela noite de 14 de outubro de 1938, reunidos que estavam na casa do José, ao lado da Cabana do Chico. “Sobre a mesa tosca a toalha alvíssima, alguns copos d’água, livros poucos e nada mais. Dois bancos rústicos ladeiam a mesa, e nele nos assentamos.”

















Da esquerda: não identificado – M. Quintão – Chico Xavier




Conheça a vida e a obra de Pietro Ubaldi